... a campainha soa.... ... ...a campainha soa outra vez... ... ... ...a campainha soa pela terceira e ultima vez... as luzes dão lugar a escuridão, rompida apenas por alguns raios amarelos, a voz surge meio ao ausência de luz, trazendo-a, a luz, de volta.
ao fundo paredes sem graça sem cor, que se misturam ao figurino esfarrapado do personagem que um dia foi alguém, em sua voz, tristeza e alegria se misturam como no sorriso triste de um palhaço sob a lona surrada, sua voz se cala e abre espaço pra uma trupe de gente que viveu e vive, gente que viveu e não vive mais, ou nem viveu. Mas não ela, ela não, ela viveu, viveu sem anestésicos para a alma, sem medo de sentir dor, viveu um amor que não se podia viver, não nos dias de hoje, quem sabe nos de ontem, ou nos de amanhã, mas hoje não.
tudo se fica colorido e com vida, paredes sem graça e sem cor se movem e são coloridas ao som das vozes que ecoam pela sala. personagens vão e vem e deixam um pouco de sua história a quem os vê. O espaço apertado agora colorido se expande e toma conta do todo; novos se revelam, o novo se revela, o novo eh experimentado como tem que ser. A musica ganha mais forma e personagens mudos falam com instrumentos. As paredes viram montes a serem escalados, espelhos viram camas e camas viram espelhos, que viram leitos e túmulos.
o amor surge, surge de uma criança, agora crescida, mas que não desistiu de vivê-lo, e agora mesmo por um instante o vive, mesmo que como um efemérida, que nasce e morre sem estômago, que vive da sua energia de quando larva, que voa rumo a morte. Mas amor não é morte, e ele perdura, e muda de capitulo, e contagia, e o amor que não podia ser vivido; ah, talvez hoje já seja amanhã, e agora é possível.
O amor vive, o amor se vai, os personagens se vão, mas não sem antes executar o ultimo concerto, e por fim receber o que lhe é de direito... aplausos, tanto quantos, de pé...
Antes da coisa toda começar - CCBB DF
Antes da coisa toda começar - CCBB DF
