terça-feira, 12 de novembro de 2013

Música sem voz



“...tudo parece um pasto sem fim, mas existe uma beleza diferente nesses pastos, uma beleza que está a vista de quem escolhe enxergar, a pastagem de verde intenso é cravejada por flores delicadas e singelas de cores amarelas e brancas. As flores salpicadas inadvertidamente na pastagem criam belas pinturas a céu aberto; céu de azul intenso e com sol radiante, um sol com raios gentis que não queimam a pele, que geram calor apenas o suficiente para trazer aconchego na manhã fria.

   O som da natureza é vivo, mas distraído só ouço o som das botas que prensam as pedras contra o solo e produzem um som ritmado que me embala. Não demora muito e o ouvido se aguça e começo a ouvir outros sons. Um pássaro canta uma canção que logo é respondida por outro que segue em um mesmo tom. Aqueles pássaros são mais tagarelas do que os que conheço. As canções são mais complexas e longas. Junto com os pássaros um rio largo surge e surge com força trazendo um novo som grave aos assobios agudos e juntos passam a cantar em harmonia. Logo depois da entrada do rio na sinfonia sinto a brisa me tocar com suavidade a face e ela também sopra seu instrumento formado por grandes arvores, arbustos e folhagens e de repente me vejo em meio a apresentação de uma orquestra ritimada e harmonica na qual meus passos marcados começam a se encaixar e o maestro Universo nos  conduz com perfeição. No embalo da sinfonia a mente se esvazia e se aquieta e pela primeira vez apenas caminho...”



quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Porque tudo gira tão rápido?



   Há um tempo assisti “Easy rider” cujo titulo em português ficou “Sem destino”, o filme foi escrito por Peter Fonda e foi rodado em 1969. Nesse filme ele imortalizou a Rota 66 que cruza parte dos Estados Unidos e também o hino dos motociclistas “Born to be wild”. Mas além das inúmeras particularidades da época e do empenho para se fazer um filme autentico e natural o que mais me chamou atenção no filme é como tudo acontece de forma tão lenta quando se toma como perspectiva a velocidade do que acontece hoje.

   Em cenas onde as motos trafegam cortado o País as arvores a beira da rodovia podem ser vistas com nitidez e demoram a sumir da tela depois de entrarem, pois tudo ali caminha ao invés de correr, os aros das motocicletas giram em sincronismo e em compasso lento quase em 33 rotações. As faixas no asfalto continuam pontilhadas ao invés de nos iludir criando uma única linha. Os diálogos são lentos e pausados, todos têm tempo. Em um dos diálogos do filme Jack Nicholson depois de experimentar um baseado pela primeira vez conta sua teoria sobre extraterrestres e apesar do absurdo de tudo que ele diz a coisa flui tranqüila e sem interrupções. Reza a lenda que para deixar essa cena natural os atores fumaram 25 baseados.

   Hoje no mundo que vivo um dialogo para definir o fim ou a continuação de uma relação de amor facilmente leva menos tempo que a explicação sobre os extraterrestres, e sinceramente acho que isso não tem sido bom para ninguém. Ao voltar de Santiago tive um choque de realidade grande, pois lá eu tinha tempo para fazer cada coisa, e aqui, “no mundo real” não tenho a mesma liberdade, são tantos os compromissos que assumimos em nome de uma suposta felicidade realizada em coisas materiais que para tê-las vendemos mais e mais tempo de nossas vidas e quando olhamos o saldo das horas que nos restam para sermos realmente felizes muitas vezes ele já esta negativo, ou já está tão distante que talvez não cheguemos lá. E se chegarmos, será que a felicidade realmente estará em tudo de material que acumulamos?

   Mas para tudo isso existe uma solução simples, e essa é a parte boa, a solução é que se você sentir que está acelerado demais basta desacelerar, é simples. Para desacelerar pise no freio e tome para si de volta parte do tempo que vendeu para uma conquista material. Ah sim, quase esqueci a única pessoa que pode fazer isso por você é você mesmo. E tenha cuidado, pois se você estiver rápido demais e isso fizer esquecer-se da sua real missão aqui Alguém pode te fazer parar. E acredite parar por si só é melhor que ser parado.